Pantera Negra – Crítica

O filme Pantera Negra sem dúvida causou um grande impacto histórico no cinema de Hollywood e mundial. Confira agora a crítica que Ronaldo Gomes da Rockcine fez sobre essa produção Black Power!!

Elevando o Nível

Já disponível em serviços de streaming, uma vez que a chamada janela – o intervalo entre o filme sair de cartaz e estrear em outras mídias – está cada vez menor, “Pantera Negra” pode não ter sido a maior bilheteria do ano, perdeu em muito para “Vingadores: Guerra Infinita”, que teve um orçamento muito maior, mas certamente será muito mais lembrado na época do Oscar.

Civil War Black Panter
Capitão América: Guerra Civil

Grande expectativa desde que o personagem apareceu em “Capitão América: Guerra Civil”, em 2016, o filme é um grande avanço para o universo Marvel. Embora seja uma superprodução, que se encaixa com perfeição no maior planejamento comercial da história do cinema, pensado há dez anos para agradar o grande público consumidor de pipoca, refrigerante e games.

Mesmo assim, como “Mulher Maravilha”, que está muito longe de ser perfeito – principalmente por causa da pesada mão masculina de Zack Snyder – mas representou um salto de qualidade das produções da DC, este é um trabalho que eleva o nível dos super-heróis adaptados de quadrinhos.

Visual PN

Grande espetáculo visual, a história de Wakanda e seu novo rei tem uma série de qualidades, mostrando que há um enorme espaço para ir além do politicamente correto, exigido pelos padrões vigentes em Hollywood, e mexe com muito mais do que apenas o universo geek.

Black is the new black

 Como se passa quase só no país imaginário de Wakanda, tudo – direção de arte, figurino, música e até a grandiosidade das tomadas – tem um jeito africano.

Embora mantenha o respeito à cultura e às tradições e se mostre ao mundo como um país muito pobre, há séculos foi atingido por um meteorito rico em vibranium e isso proporcionou um desenvolvimento incrível na tecnologia.

Tecnologia de Wakanda

Esse enredo justifica totalmente o visual afro-futurista, que não é uma invenção da equipe dirigida por Ryan Coogler, mas uma tendência que começou a aparecer (antes mesmo de ter nome) nos anos 1970, com o compositor e filósofo Sun Ra. Depois, alcançou a literatura (nos anos 90) e agora chegou à moda e ao mundo da música através do visual de Beyoncé e Janelle Monáe, entre outras, numa inversão do conceito de apropriação cultural.

Visual Figurino PN
Direção de Arte Pantera Negra

Os elementos africanos deixam de ser uma expressão de exotismo para se tornarem uma afirmação política e uma exigência de espaço. O filme apenas acompanha o movimento, dando-lhe visibilidade de forma perfeitamente integrada à trama.

Como Wakanda nunca foi vítima do colonialismo europeu, não carrega nenhuma das cicatrizes impostas pelo processo. Lá, não há sinal de atraso ou subdesenvolvimento capitalista forçado pela ocidentalização.

O país é uma amostra do que poderia ser a África se as nações consideradas civilizadas não tivessem ditado os rumos de sua história. E o resultado, embora seja só imaginário, é belíssimo. 

Black is beautiful

 Embora seja um filme de ação, com sequências que lembram até “Velozes e Furiosos”, as mulheres têm presença forte. Mesmo no trecho passado na Coreia, urbano e sofisticado, com clima de 007, elas não são “Black Panther Girls”, prontas a distrair ou seduzir os homens. Os personagens femininos têm papeis bem definidos e importantes.

Mulheres-Pantera-Negra
Mulheres-Pantera-Negra

E ainda tem o enredo. O conflito central não envolve apenas um brutamontes louco por lucro a qualquer preço. Também discute os erros e acertos da estratégia de isolamento do país.

O antagonismo entre T’Challa e Erik Killmonger evoca, guardadas distância e proporção, as contendas entre Stalin e Trotsky. O primeiro defendia o comunismo num único país, isolando-o para preserva-lo, enquanto o outro queria a revolução permanente que conquistaria o mundo.

T'Challa VS Erik Killmonger
T’Challa e Erik Killmonger

Mas o que vem à mente, por causa da maior proximidade com a luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, são as diferenças de visão e método de luta entre Malcolm X e Martin Luther King. O que não é pouco para uma produção de Hollywood adaptada de uma HQ da Marvel.

Malcon vs Martin
Malcolm X e Martin Luther King

Muito mais que em “Capitão América: Guerra Civil”, as questões levantadas fazem pensar. Há questionamentos, pela primeira vez numa história de super-herói, se Killmonger não teria, pelo menos em parte, razão em sua revolta. A polarização gerada por ele leva à guerra civil e os papeis se embaralham enquanto amigos e aliados de toda a vida se enfrentam em batalha.

O filme só se completa, no entanto, com a cena após os créditos principais (uma marca do projeto Vingadores). Ela arremata a história e aponta para a nova posição do governo de Wakanda frente ao mundo, num discurso que leva o público do aplauso ao riso e parece endereçado a Donald Trump.

Wakanda e o Mundo
Wakanda e o Mundo

Num caso raro, a crítica foi unânime e entusiástica. Mesmo o diretor Spike Lee, famoso por boicotar trabalhos que envolvem negros por detalhes que considera incorretos, declarou estar apaixonado pelo filme. Um sinal de que esse é um caminho que se abre para arejar e iluminar as coisas em Hollywood.

 

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