A Forma da Água – Crítica

A Forma da Água ganhou vários prêmios no início do ano, entre eles o Oscar de Melhor Filme e Diretor de 2018. Confira a crítica e análise que Ronaldo Gomes da Rockcine fez sobre essa linda e lúdica produção.

Equilíbrio

Este é um filme que dá gosto ver. É evidente que Guillermo del Toro, seu produtor, diretor e roteirista, exigiu capricho e carinho de todos os envolvidos no trabalho. Porque esta é uma daquelas produções que só funcionam se tiverem um equilíbrio perfeito.

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Guillermo del Toro

Houve quem a classificasse como uma fábula ingênua, politicamente correta, com certo e errado muito bem determinados, para deixar todos felizes e confortáveis. Mas ela vai além.

De fato, a trama é infantil, embora nela o sexo não seja tão sublimado quanto em Esopo, La Fontaine ou Star Wars, por exemplo, nem os papéis sociais e psicológicos tão claros. E é sobre essas pequenas transgressões que a narrativa se constrói e firma sua individualidade.

“A Forma da Água” é, obviamente, uma releitura de “O Monstro da Lagoa Negra”, dirigido por Jack Arnold há 64 anos. Contudo não é um remake. Na verdade, é uma revisão em que vemos a história com olhos de hoje, embora ela se passe na mesma época em que o “original” foi feito.

Monstro Lagoa Negra
O Monstro da Lagoa Negra

Nada a ver, porém, com as atualizações que grassam por aí, sempre trazendo os clássicos para os nossos dias – de Romeu e Julieta a Flash Gordon, passando por deuses gregos e egípcios e chegando até ao Homem-Aranha, que é reatualizado a cada três ou quatro anos.

A criatura

Se em 1954 dois atores sem nenhuma importância dividiram o papel do “monstro” (Ricou Browning fez as cenas debaixo d’água, enquanto Ben Chapman ficou com as de superfície), agora, ele é creditado como Homem Anfíbio e interpretado por Doug Jones, que já encarnou muitos seres estranhos para o diretor de “O Labirinto do Fauno”.

Na produção em preto e branco da Universal, a criatura ficava claramente encantada com a belíssima protagonista, passando a segui-la e aproximando-se cada vez mais, até o inevitável desfecho. Lembrando “King Kong”, morria para não se separar dela.

Desta vez é bem diferente. É o Homem Anfíbio o cativo, enquanto a heroína está muito longe dos glamourosos padrões de Hollywood, lembrados a todo momento nas pequenas telas das TVs.

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Doug Jones


Personagens

Em meados do século passado, a atriz Julie Adams fazia uma típica beldade americana, que acompanhava o pai e o namorado mais para enfeitar a expedição. Sempre retratada em longas cenas aquáticas com um (para a época) provocante maiô branco, ela acabava por atrair o monstro.

Agora, as cenas de nudez de Sally Hawkins são delicadas, servindo mais para mostrar seu quase total isolamento. E as diferenças não param por aí. Mas se “A Forma da Água” difere tanto de “O Monstro”, se assemelha a muitos filmes recentes aplaudidos pela crítica, tendo até uma pitada de “La La Land”.

Sally Hawkins 2
Sally Hawkins

Deles, o mais parecido talvez seja “Estrelas Além do Tempo” (que também dá gosto assistir). Ambos foram indicados a muitos prêmios e ganharam vários, se passam no mesmo período, denunciam discriminação, têm mulheres no centro da trama e também mostram a insanidade da Guerra Fria.

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hidden-figures

Por que, então, Estrelas é aplaudido pelos críticos enquanto o filme de del Toro é acusado de “infantilidade politicamente correta”? Será porque o indicado ao Oscar do ano passado trata da história real de mulheres negras, enquanto o deste ano é uma ficção quase científica?

Indústria cultural

De qualquer maneira, é difícil entender porque a mesma crítica deu cinco estrelas à “Liga da Justiça”, uma história protagonizada por super-heróis com poderes que variam de força e intensidade, de acordo com a conveniência dos roteiristas, além de ter um vilão que surge do nada para dominar o mundo juntando relíquias muito mal explicadas.

Mas a opinião pública não dá muita atenção à crítica. Prova disso são Super-homem, com exatos 80 anos, e Batman, com 79, que sobrevivem muito bem, embora desde que foram criados, sejam classificados por especialistas como fascistas. Segundo eles, esses personagens julgam saber o que é melhor para o mundo, justificando assim o uso da força, em detrimento das leis.

Sally Hawkins

Uma boa parte do público, no entanto, se encanta com a história de Elisa Esposito, uma faxineira incapaz de falar, que não se identifica com as pessoas com quem convive. Ela só se mostra decidida na hora de tentar ajudar a única criatura por quem se sente atraída, o Homem Anfíbio. Perto dele, sente-se como uma estela de cinema.

Ao contrário do Superman – que no primeiro filme, como um deus, mudava o curso da história – e outros personagens, que só propiciam adrenalina (e testosterona), “A Forma da Água” termina por despertar a produção de oxitocina.

Quando a tela escurece, a maioria dos casais, que já assistiam ao filme de mãos dadas, troca um beijo antes de se levantar e abandonar a sala.

Beijo Shape

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