Star Wars: Os Últimos Jedi – Crítica

Os Último Jedi foi um dos filmes mais esperados no final de 2017 e Ronaldo Gomes fez uma crítica e análise histórica sobre o filme que teve muita repercussão entre os fãs da saga, confira.

O retorno dos Jedi: a nova lição

O oitavo episódio (e nono título da franquia) traz de volta o tom ingênuo e quase infantil do primeiro (na verdade, o quarto). Também começa a se delinear melhor o arco narrativo dessa nova fase. Aliás, não seria de estranhar se daqui há alguns anos fossem feitos outros três filmes contando o período entre o sexto e o sétimo episódios, exatamente como foi feito com os três primeiros, em relação ao IV. (Se você está achando confuso é porque não faz parte da multidão que acompanha – e ama – Star Wars há décadas.)

Afinal, “O Despertar da Força” (2015) nos apresenta uma situação muito parecida com a de “Uma Nova Esperança” (1977). Faltando explicar por que, depois de tanta luta para destruir o Império – incluindo até a redenção do próprio Darth Vader – a República deixou tudo ir por água abaixo, permitindo que a Primeira Ordem pusesse a Resistência numa situação pior do que quando a saga foi apresentada ao público por George Lucas.

Star Wars IV: Uma Nova EsperançaStar Wars VII: O Despertar da Força

Conto de fadas

Mas, antes de tudo, é preciso frisar que o projeto Star Wars é mais velho que a maior parte do público de cinema e mudou, com seu estrondoso sucesso, não só as relações de produção em Hollywood, como moldou uma nova cultura pop. Isso leva a maioria dos fãs de hoje, que o conhecem desde que nasceram, a ligá-lo de forma subjetiva à própria infância, o que reduz muito sua capacidade de crítica. Assim, mesmo uma trama meio vaga, como a do Episódio VII, comoveu muito a quase todos.

Não é o caso do novo filme. Seu roteiro bem amarrado, assinado pelo diretor Rian Johnson, trabalha intencionalmente na borda do clichê, só escapando dele no último instante. Isso gera sequências ao mesmo tempo clássicas e eletrizantes, levantando o público.

São duas horas e trinta e dois minutos bem equilibrados entre ação e desenvolvimento da história, agradando a todos e garantindo, como se espera numa produção desse tamanho, a bilheteria. Muito mais sóbrio e menos apelativo que os últimos filmes de Marvel e DC, mantém a dimensão épica requerida pelo espetáculo sem exagerar na duração de lutas e batalhas.

Mas deixa muita coisa a ser explicada.

Dúvidas e lições

Uma delas, não a mais importante, nem a mais esperada (porque não vamos dar spoiler nem quanto às perguntas), é a razão de todos os principais comandantes da Resistência serem senhoras, com jeito de avós ou tias. Ok, ninguém se torna general da noite para o dia, mas onde estão os homens? Seria total incompetência ou, a exemplo de Luke Skywalker, eles se retiraram desiludidos ou cansados?

Mulheres Star Wars

Outra é por que uma produção tão cuidadosa com o politicamente correto, que distribui os principais papéis entre etnias e gêneros, usa uma figura totalmente disforme e repugnante como Snoke para representar o Mal? Certo, o Imperador também era muito feio, mas isso era, obviamente, o resultado do desgaste advindo do uso intenso e indevido da Força. Não vamos esquecer, que lá no início, em “O Império Contra-Ataca” (1980), Luke despreza Yoda – por sua aparência feia, frágil e excêntrica – antes de aprender que o importante não está na superfície.

Agora, muitas lições também são aprendidas pelos personagens (principalmente os masculinos), que evoluem claramente rumo ao desfecho da história (que só ocorrerá no próximo episódio). A trama se desenvolve numa mistura de valores cristãos, budistas e taoístas, como determinado por Lucas há mais de quarenta anos.

Mas nesta nova fase também cabem descobertas e incertezas, impossíveis para os anos 1970/80. Elas atingem quase todos, do veterano Luke à novata Rey. Herói ou vilão, ninguém mais é totalmente seguro. Até Kylo Ren, bem mais humano que seu antecessor Darth Vader, titubeia quando precisa decidir se, literalmente, detona ou não a própria mãe.

E até o criador da saga deve estar revendo suas convicções.

Ciclo histórico

Disney - Star Wars

Chega a ser irônico que Star Wars tenha voltado ao tom original sob o comando da Disney. George Lucas era obcecado por fazer filmes de ficção científica desde o tempo de escola, mas nunca teve muita clareza sobre como seria, finalmente, o seu grande trabalho. Levou vários anos remexendo no roteiro até que nem ele mesmo sabia muito bem como era a história e precisou contratar uma dupla de profissionais para pôr ordem na confusão.

Lucas desejava ser revolucionário, mas entendia que o público não queria mais histórias complicadas e pesadas, com finais tristes ou abertos, como os apresentados pela maioria dos profissionais de sua geração que ficou conhecida como Nova Hollywood. Seu grande medo era que o projeto acabasse soando infantil. Afinal, ele tinha um nome a zelar: era o vice de Francis Ford Coppola – que havia até tentado empurrar-lhe a direção de “O Poderoso Chefão”, que a Paramount exigia que fosse realizado – na presidência da produtora American Zoetrope.

Alcançar o equilíbrio entre a ousadia de um projeto inovador que, ao mesmo tempo, seduzisse a todos era seu difícil propósito.

Embora quisesse se mostrar arrojado, ele insistia em tirar toda e qualquer sensualidade do espetáculo. Só no terceiro filme, “O Retorno do Jedi” (1983), Carrie Fisher conseguiu mostrar o corpo, ameaçando não trabalhar se fosse obrigada a usar o mesmo “camisolão” dos dois primeiros.

Carrie Fisher

Mas, na véspera da estreia de Guerra nas Estrelas, em 1977, Lucas fugiu com a mulher para o Havaí, por medo de que tivesse feito um “filme Disney”, o que significaria que só as crianças pequenas gostariam, enquanto seus pares da “geração sexo, drogas e rock’n’roll” passariam a desprezar seu trabalho.

Passados tantos anos, o reino de Walt Disney se transformou num gigante que domina grande parte do mundo do entretenimento e avança ao ritmo da Marcha Imperial de John Williams. Depois de engolir muitas empresas, a Walt Disney Company comprou até a Lucasfilm e, sob sua égide, Star Wars recuperou o tom ingênuo original. Mas mesmo os executivos da Disney sabem que, como diria Tomasi di Lampedusa, para que tudo fique como sempre foi, as coisas precisam avançar.

George Lucas e Disney

Hoje, George Lucas pode assistir à nova fase de sua saga sem medo nem culpa por estar diante um “filme Disney”.

 

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