Liga da Justiça – Crítica

Liga da Justiça foi um dos filmes mais comentados de 2017 e Ronaldo Gomes fez uma crítica sobre o filme que reune os maiores heróis da DC Comics, confira.

Já foi dito que, para alcançar a Marvel, a DC Comics ainda teria que comer muito feijão. “Liga da Justiça” mostra o quanto dessa leguminosa a DC tem ingerido nos últimos tempos. Sem dúvida, o resultado é muito melhor do que o de “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça”. O roteiro não chega a ser uma maravilha, mas faz bem mais sentido, já que desta vez os heróis não se portam como idiotas manipulados por Lex Luthor. E parece que, finalmente, os executivos da Warner entenderam que o tom sombrio que sempre garantiu o sucesso das HQs da DC não deve ser simplesmente transposto para a tela. A trilogia de Batman, dirigida por Christopher Nolan, não pode servir de modelo mecanicamente copiado.

Liga da Justiça

Qualidade

Entre os predicados da produção está o elenco, no mínimo, adequado. Henry Cavill fica bem como o meio frio e distante Homem de Aço, porque, afinal, como mostrou Bryan Singer em “Superman: O Retorno”, ele é um refugiado que aqui chegou – depois de uma travessia temerária, só justificada pelo desespero dos pais, que preferiram lançar o filho no desconhecido a deixa-lo à mercê da desgraça certa – da mesma maneira que tantos outros, enviados através do Mediterrâneo, para a Europa, e como estes, se sente sempre um alienígena que jamais estará entre os seus.

Ben Affleck já superou o mal-estar inicial do público e vem se distanciando da imagem de playboy conquistada na juventude, embora ainda convença muito mais como “o milionário Bruce Wayne” do que como o soturno Homem Morcego. E Jason Momoa tem a figura certa para o Aquaman, uma vez que figura é tudo que lhe é exigido, afinal, este é um filme de super-heróis.

A Diana Prince de Gal Gadot merece a alcunha de Mulher Maravilha. Atriz e personagem iluminam e levantam o espetáculo, enquanto Ezra Miller segura muito bem o papel de Flash, que dá o alívio cômico necessário à ação, sempre entremeada de lutas que agradam mais ao público amante do binômio porrada/perseguição. Mas elas nem são tão vazias e infindáveis como as batalhas finais de “Batman vs. Superman” e “Mulher Maravilha”, que denunciam o peso da mão de Zack Snyder, que foi obrigado a deixar o projeto por uma tragédia pessoal.

Liga da Justiça

Para escapar do padrão estabelecido por Nolan, a saída foi clarear, aliviar e agilizar a história, o que a deixou muito mais próxima dos sucessos da Marvel e funcionou.

Problemas

Uma boa preocupação em “Liga da Justiça” é com a apresentação dos personagens, já que há quem nunca tenha aparecido na tela grande, enquanto outros, para a fugacidade da memória do público de hoje, estão fora faz tempo. Assim, mesmo os mais famosos, recentes e presentes têm uma cena para evocar seus poderes e histórias. Só que isso vai quase emperrando a trama que, cada vez que ameaça progredir, é interrompida por uma sequência de introdução e explicação de personagem.

Outro cuidado é com os geeks – que sempre reclamam da falta de imagens para camisetas e cartazes – e com as cenas para divulgação. A cada nova sequência de ação, vem aquela tomada “uauuu!!!”, que parece criada principalmente para uso em teasers e trailers – um deles magistralmente editado sobre “Come Together”, dos Beatles – e lembra que estamos diante de um espetáculo comercial que tem como primeira preocupação a bilheteria. A produção, estimada em US$ 300 milhões, já havia rendido, até o começo de dezembro, quase US$ 570 milhões.

Lacunas

Além disso, para deixar o filme dentro das duas horas aceitáveis para o público do gênero, muita coisa teve que ser resumida (se é que não foi resolvida pela montagem porque roteiro e/ou direção ficaram capengas). O vilão surge de forma extemporânea e atropela as Amazonas, para juntar caixas nunca citadas antes, embora possam acabar com o mundo.

O próprio Superman demora muito para entrar na trama e Lois Lane aparece pouquíssimo, o que é uma pena tratando-se de qualquer personagem interpretado por Amy Adams.

E, afinal, quais são as verdadeiras capacidades de cada um dos heróis? Em todos os últimos filmes, vemos Batman, Superman e Mulher Maravilha sendo primeiro chutados, esfregados no chão e nas paredes, atirados para longe, só para causar apreensão no público, para depois, quando o roteiro pede um desfecho, porque nem os mais nerds aguentam mais tanta luta, voltarem lépidos para esmigalhar o vilão.

Pensando bem, embora esteja melhorando, a DC ainda tem que comer muito feijão.

Liga da Justiça


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