Análise de Blade Runner 2049

Ronaldo Gomes da RockCine fez uma análise do filme Blade Runner 2049 e podemos ver quais as semelhanças do primeiro filme e curiosidades. Confira.

A principal característica de “Blade Runner 2049” salta aos olhos e enche os ouvidos, mas não está na sala de projeção, decorre do fato de ter Ridley Scott como produtor executivo. A maior qualidade do filme é o respeito ao original, dirigido por ele, que fundou uma nova escola de ficção científica e marcou a história do cinema.

Ridley Scott - Blade Runner 2049

Nesta continuação, embora tudo remeta à produção dos anos 1980 (fotografia, cenografia e até a trilha sonora de Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer, que evoca sempre a composta por Vangelis), basta uma olhada para ver que se passaram 29 anos e tudo mudou. Mas mudou dentro do mesmo universo opressivo, fruto da devastação climática que levou grande parte da população mais abastada para colônias em outros planetas. Só que as coisas avançaram, não pelo desenvolvimento técnico dos últimos 35 anos e sim pelos 30 decorridos desde que Rick Deckard começou a investigação sobre um grupo de replicantes que cometera o crime de querer viver. E elas não melhoraram.

Rick Deckard

Semelhanças

Blade Runner 2049

Sim, você pode assistir “Blade Runner 2049” sem ter visto o filme de 1982. Mas será uma pena não ter as duas histórias em perspectiva e, principalmente, não poder compará-las esteticamente, e aproveitar todas as referências, alusões, desenvolvimentos e até contrastes.

Não espere, no entanto, uma enxurrada de lutas, batalhas e perseguições, que sempre nos vem à mente quando pensamos, hoje, em ficção científica. Mais uma vez, a trama é de mistério, num tom “noir”, com o detetive tentando entender o que acontece no mundo em que vive.

Blade Runner 2049

Outra semelhança entre os dois está na resposta da bilheteria. BR 2049 não rendeu, inicialmente, o esperado pelos produtores. Quando estreou, “Blade Runner, o Caçador de Androides” (como foi chamado no Brasil) também demorou para conquistar o público. Por aqui, na época do lançamento, não agradou muito nem à crítica. Foi classificado como escuro, sombrio e depressivo. Poucos anos depois, relançado já com o rótulo de cult, só recebeu elogios.

Disparidades

A grande diferença entre as duas produções está no controle de Ridley Scott. Agora, ele decidiu tudo, escolhendo diretor, roteiristas. Nos anos 80, teve que usar materiais baratos e restos de cenários de outras produções para baratear os custos. A saída, para disfarçar essa precariedade, foi aumentar a chuva e deixar o ambiente ainda mais escuro. E foi demitido sumariamente, assim que terminou de rodar a última cena.

Blade Runner 1982

Na montagem exibida então nos cinemas, não entraram nenhuma das cenas que faziam referência à possibilidade de Deckard ser replicante e foi criado um final feliz, com sobras de “O Iluminado”, de Stanley Kubrick, feito dois anos antes. A sequência, com imagens aéreas luminosas de paisagens nevadas, era totalmente incongruente.  Mesmo assim, aos poucos, os valores do filme foram sendo notados e ele passou a ter cada vez mais fãs, a ponto de Scott conseguir fazer duas montagens mais longas, resgatando cenas que não tinham entrado na primeira versão.

Continuidade

Ryan Gosling - Blade Runner 2049

O principal roteirista, Hampton Fancher, e os atores Harrison Ford, Edward James Olmos e Sean Young (em recriação virtual), nos mesmos papeis, dão uma continuidade orgânica ao novo Blade Runner. Mas a direção de Denis Villeneuve e a fotografia de Roger Deakins o colocam no mesmo patamar do primeiro filme. Sem contar a força das figuras de Dave Bautista e Jared Leto, além de Ana de Armas, que com sua absurda e delicada beleza, nos dá a dimensão da solidão e da necessidade de afeto do herói interpretado por Ryan Gosling.

Esse herói é o detetive K, que tem a missão de localizar e “aposentar” remanescentes do modelo Nexus, considerados ilegais há mais de trinta anos. Seu trabalho o deixa na incômoda posição de ser um replicante que elimina seres de sua própria espécie, que só querem continuar vivendo, enquanto não é visto como igual pelos humanos. Mas esse é só o ponto de partida. A tarefa o leva a um mistério que pode, segundo sua chefe na polícia (Robin Wright, outra figura de destaque), desestabilizar as estruturas e levar à ruína da sociedade.

Para solucionar o enigma, K tem que descobrir o que aconteceu com Rachel e Deckard, em novembro de 2019, e, de quebra, recuperar sua própria história. Mas as questões de fundo são as mesmas do primeiro filme: o avanço científico que leva o homem a se sentir Deus e esquecer seus próprios limites (a hybris dos antigos gregos); a conquista tecnológica que não resulta em avanço social, mas em novas formas de segregação; e a inevitável luta do oprimido pelo simples direito à vida.

“Blade Runner 2049” é um espetáculo audiovisual raro para os padrões atuais e forma um conjunto com seu predecessor. Do começo ao fim, está impregnado do sentimento inspirado pela última fala de Roy Batty (Rutger Hauer), no filme de 82, mostrando que quando alguém morre a humanidade, como diria o poeta inglês John Donne, fica diminuída, porque toda e qualquer vida é única e sagrada.

“Eu vi coisas que vocês não imaginariam.

Naves de ataque em chamas ao largo de Órion.

Eu vi raios-c brilharem na escuridão próximos ao Portão de Tannhäuser.

Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva.

Hora de morrer.”

Roy Batty - Blade Runner


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Um comentário sobre “Análise de Blade Runner 2049

  1. Fernanda Andrade

    Grande análise, adorou o filme porque lhe dá muitas coisas para pensar e permite muitas teorias dos fãs. Na minha opinião, Blade Runner 2049 foi um dos mehores filmes de ficção cientifica que foi lançado. O ritmo é bom e consegue nos prender desde o princípio O filme superou as minhas expectativas, o ritmo da historia nos captura a todo o momento. Além, acho que a sua participação neste filme drama realmente ajudou ao desenvolvimento da história.

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