Atômica – Crítica

Loira Atômica

O fim da curta temporada de “Game of Thrones” aumentou não só o consumo de calmantes como o de outros produtos que podem reduzir a ansiedade dos milhões de fãs que terão que esperar no mínimo um ano para ver o desfecho da saga.

Entre essas opções, na falta de outra série que se aproxime de GoT, está a velha e escura sala do cinema, de preferência com projeção e som modernos e envolventes.

Atômica

E uma das alternativas é o recente “Atômica”. Mais uma das inúmeras versões de quadrinhos para a tela grande que, atrás do sucesso de Marvel e DC, vêm se tornando a saída para a falta de criatividade das produções comerciais de Hollywood. Só que este caso se insere numa nova safra de filmes de ação que funcionam muito bem e acabam por entusiasmar o público carente de emoções.

The Coldest City

Baseada na HQ “The Coldest City”, de Antony Johnston e Sam Hart (que está sendo lançada em português pela Darkside Books), a história se passa no fim da Guerra Fria, em 1989, nos dias que antecedem a queda do Muro de Berlim, retratando a confusão que os serviços secretos haviam se tornado, além da total falta de ética dos envolvidos na insana busca por informações que pudessem dar vantagem a um dos lados. Mas o roteiro, com suas incongruências, está longe de ser a parte mais importante do filme.

Um novo estilo

David Leitch

Esta é a primeira direção com créditos de David Leitch – que não deve ser confundido com o aclamado David Lynch, de “Veludo Azul”, “Cidade dos Sonhos” e “Twin Peaks”. Leitch, pode-se dizer, é formado nos sets. Ator, dublê e coordenador de dublês, tornou-se diretor de segunda unidade e coreógrafo de ação. E é essa formação que faz a diferença. As inumeráveis cenas de luta são assustadoras, pelo realismo, e ao mesmo tempo deslumbrantes, pela precisão e estética. Nelas, a câmera, sempre na mão ou no Steadicam, se envolve na ação, ora como personagem, ora como observador privilegiado, participando de um intrincado balé, o que torna cada luta ou perseguição um prazer estético, evitando o cansaço que toma boa parte do público depois da quarta, quinta, ou décima segunda sequência.

Cena luta Atômica

Além disso, a direção de arte – incluindo figurino e maquiagem – e os efeitos de cena são muito bem cuidados. De forma que um tiro na cabeça de um guarda, por exemplo, nos dá, por um instante, um quadro muito bem composto na parede atrás da vítima, o que também serve para aliviar o peso da extrema violência do filme.

Quanto à brutalidade infringida aos personagens, há momentos que acabam se tornando cômicos tal a crueldade a que são submetidos. O exagero e prolongamento da violência nos lembram de que estamos diante de uma ficção.

Tiro certo

Elenco Atômica

Outro ponto forte de “Atômica” é o elenco. Mesmo nos papeis pequenos há atores no mínimo adequados, quando não ótimos. Mas o destaque é para o par central. James McAvoy mostra que é capaz de encarar qualquer desafio, desde o doce Sr. Tumnus em “As Crônicas de Nárnia”, o jovem professor Xavier dos “X-Men”, até o vilão esquizofrênico do “Fragmentado” de M. Night Shyamalan. Aqui, seu dúbio David Percival, agente do MI-6 em Berlin, está mais para monstro do que para médico.

Charlize Theron

O melhor do filme, sem sombra de dúvida, é Charlize Theron. Além de bonita e charmosa, ela mostra que a capacidade de encarnar personagens fortes como a Imperatriz Furiosa, de “Mad Max: Estrada da Fúria”, foi só o começo.

Sua Lorraine Broughton, a loira atômica do título original (“Atomic Blonde”), está sempre no olho do furacão. A partir da metade do filme, ela está coberta de hematomas, cortes e furos, mas isso não diminui sua capacidade de encantar e seduzir, bater e apanhar, perseguir e fugir, matar e sobreviver. É com ela que a câmera tem mais prazer de dançar e, por mais bizarra que a trama possa soar, é ela que segura o ritmo da narrativa e a mantém perto do verossímil.

Ao final da sessão, ninguém sai preocupado com a lógica do argumento ou com sua exatidão histórica. Todos querem saber quando encontrarão tanto heroísmo e beleza juntos de novo. Tom Cruise deve estar morrendo de inveja e, talvez, lamentando ter nascido homem.

Charlize Theron - Atômica


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