Star Wars 40 anos – Parte 2

Confira a continuação de como o filme desacreditado virou no fenômeno que completou 40 anos de sucesso. Ronaldo Gomes da RockCine conta como a influência do filme mudou Hollywood.

Parte 2

A “reforma” do roteiro feita pelo casal Gloria Katz e Willard Huyck (sem crédito, mas com a promessa de 2%, para cada um, do que George Lucas ganhasse) ajudou muito, mas não resolveu os problemas de “Guerra nas Estrelas”.

Gloria Katz, Willard Huyck e George Lucas

No outono de 1975, Jim Nelson começara a montar, num galpão, a Industrial Light and Magic. Seu primeiro contratado foi John Dykstra, supervisor de efeitos de “2001, Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick, que se tornara um marco da Sci-Fi, em 1968. Dykstra acabara de criar uma câmera controlada por computador que podia se movimentar em torno de miniaturas, em trajetórias repetidas, com exatidão, construindo cenas em “camadas”. Uma inovação, mas isso era praticamente tudo que eles tinham. Para obter os efeitos, no entanto, era preciso muita pós-produção e muito mais gente trabalhando do que fora imaginado pelo diretor. Ao final do primeiro ano, a ILM tinha consumido entre 4 e 5 milhões de dólares, praticamente sem resultados visíveis, enquanto o orçamento original total era de 3 milhões.

Obcecado por controle, depois da experiência de “Tubarão”, quando Spielberg teve que aguentar as péssimas sequências sem poder interferir em nada, Lucas insistiu em reter os direitos sobre continuações da história, música e merchandising. Como na Disney, tudo, incluindo bonecos, brinquedos, camisetas… pagaria direitos à Star Wars Corporation. Os executivos concordaram, rindo. Afinal, todos sabiam que para serem criados, fabricados e distribuídos os produtos levariam pelo menos 18 meses e, depois desse tempo, ninguém mais lembraria do longa.

As filmagens de “Star Wars” começaram no dia 25 de março de 1976, nos estúdios Elstree, perto de Londres. Escolha feita para escapar do controle da Fox e economizar, mas as dificuldades apareceram já no primeiro dia.

Diretor George Lucas Star Wars

O relacionamento do diretor com o elenco e a equipe era muito complicado. Todos achavam George frio, distante e sem o menor jeito para pedir ou agradecer, enquanto ele afirmava que não dava para ser gentil, uma vez que precisava passar o tempo todo berrando para que as coisas saíssem direito. Os atores diziam que o diretor só tinha duas instruções dramáticas: “ok, mesma coisa, só que melhor” e “mais rápido, mais intenso”.

Quando acabou de rodar o filme, Lucas jurou que nunca mais dirigiria na vida. Sua promessa resistiu 22 anos. Só voltou a gritar “ação” em “Episódio I – A Ameaça Fantasma”, porque os diretores convidados por ele (Ron Howard, Steven Spielberg e Joe Johnston) não quiseram assumir tal responsabilidade.

George Lucas Diretor Star Wars Episódio 1

A batalha final

NewYork New York - Martin Scorsese     Marcia Lucas, a mulher de George, era uma montadora respeitada e, abandonando seu plano de não fazer nenhum trabalho e engravidar, se envolveu no projeto para ajudar o marido. Mas um telefonema de Scorsese, contando que seu montador havia morrido e que não tinha como finalizar “New York, New York”, levou Marcia a trocar São Francisco por Los Angeles, aumentando as incertezas de Lucas.

 

 

Quando a primeira montagem foi terminada, mesmo com o pessoal da ILM trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, os efeitos especiais não estavam prontos e precisaram ser substituídos por sequências em preto e branco de batalhas aéreas da Segunda Guerra Mundial, para dar uma ideia geral do clima. Uma apresentação, só para o pessoal mais próximo no meio cinematográfico, acabou em constrangedor silêncio. Diante da palidez do marido, Marcia começou a chorar, o que deu a Lucas a convicção do fracasso. Spielberg foi o único a defender – inclusive para os executivos da Fox – que o filme seria um grande sucesso.

Embora na primeira sessão teste, já no mês de maio de 77, o público tenha gritado, saltado e aplaudido a cena do retorno, no último minuto, de Han Solo, como se estivesse no estádio vendo seu time vencer de virada, Lucas não ficou convencido e persuadiu Marcia a ir para o Havaí na semana da estreia, para fugir da imprensa e até dos amigos. Ele repetia o tempo todo que havia feito um filme “Disney”, que só interessaria a crianças e esse seria o seu fim.

O triunfo

Nos anos 1970, as grandes produções ainda eram lançadas, com pequenas variações, pelo mesmo sistema que Hollywood sempre havia usado. No início, eram distribuídas poucas cópias. Em cada cidade importante, era escolhida uma sala (e só uma!), sempre muito chique e cara, para conferir-lhe prestígio. Isso significava que as pessoas teriam que se deslocar dos bairros e até das cidades vizinhas, chegando a viajar 70, 80 quilômetros, se quisessem vê-la. Só depois que a procura por ingressos diminuísse, o filme poderia ser levado a outras salas, mais populares. Apenas em 1972, com “O Poderoso Chefão”, as coisas começaram a mudar. Com “Star Wars”, ficou claro que esse sistema não funcionava mais. As filas davam voltas nos quarteirões nas 24 horas do dia, sem contar o alvoroço do público, antes e depois das sessões.

Cinema Star Wars

Lucas ainda estava com Marcia no Havaí, quando Harrisson Ford chegou uma tarde a casa de amigos completamente sujo e rasgado, explicando que havia passado na Tower Records, para comprar um disco, quando foi agarrado pelo público, que só queria se aproximar dele. Até a estreia de “Guerra nas Estrelas”, ele podia andar tranquilamente pela cidade sem se preocupar com assédio.

O fim da Nova Hollywood

“Star Wars” acabou custando US$ 9,5 milhões e rendeu US$ 100 milhões em apenas três meses. Apesar das vantagens conseguidas por Lucas, no contrato, a Fox se encheu de dinheiro. Dois anos antes, o “Tubarão” de Spielberg, que custou US$ 8 milhões e rendeu US$ 260 milhões, havia feito o mesmo com a Universal. Os chamados filmes com efeitos especiais mudaram todo o sistema de distribuição e exibição do cinema americano (e do mundo), criando os “blockbusters”, que inundam o mercado e chegam a ocupar mais da metade das salas das grandes cidades. Com isso, os estúdios se fortaleceram e voltaram a dominar o mercado, determinando cada vírgula da produção e acabando com o promissor cinema independente dos anos 60/70.

Em entrevista a Peter Biskind, em 1997, para o livro “Como a Geração Sexo-drogas-e-rock’n’roll Salvou Hollywood”, Marcia Lucas disse: “Tenho nojo da indústria americana de cinema, agora. Havia tantos filmes bons, e uma parte de mim acha que “Star Wars” é em parte responsável pela direção que a indústria tomou, e me sinto muito mal com isso.”

Saga Star Wars 1 - 6

Já a saga da família Skywalker continua fazendo centenas de milhões de dólares, ironicamente, agora nas mãos da Disney, que comprou a Lucasfilm e ampliou o universo Star Wars. Ainda sob o comando de Lucas, em sua segunda fase, a partir de 1999, com “Episódio I – A Ameaça Fantasma”, a franquia já não continha os elementos do impacto inicial. Mas, uma vez que o público lhe conferiu o grau mítico, não importa muito mais a qualidade do filme. Basta que tenha apelo visual e ritmo na ação para manter o encantamento. Por isso, mesmo sendo um produto bem menos criativo, quando Rey, no final de “O Despertar da Força”, de 2015, entrega o sabre de luz para Luke, todos se arrepiam – ou até chegam às lágrimas – e ficam ansiosos pelo próximo episódio.

Rey Star Wars O Despertar da Força


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