Star Wars 40 anos – Parte 1

Star Wars completou 40 anos de sucesso de dimensões galácticas, Ronaldo Gomes da RockCine conta como um filme desacreditado se tornou num fenômeno, confira.

Star Wars: 40 anos de um fenômeno 

Há 40 anos George Lucas começou uma revolução. Sem a menor intenção, causou profunda mudança na maneira de produzir filmes nos EUA, nas relações entre os profissionais e até com o público. Os reflexos, como no caso de grandes terremotos que provocam tsunamis, foram sentidos no mundo todo. Só que não imediatamente.

Star Wars

Em 25 de maio de 1977, quando “Star Wars” foi lançado nos Estados Unidos, as estratégias de distribuição e exibição eram completamente diferentes das de hoje e ninguém sabia que estava presenciando o nascimento do maior evento na área de entretenimento do século vinte. Mas por que isso aconteceu?

Há muito tempo…

“Guerra nas Estrelas” abre com a informação de que veremos o episódio IV, seguida de um letreiro resumindo os fatos anteriores à história. Isso remete às matinês dos anos 1930/40, com seriados como “Flash Gordon” e “Buck Rogers”. Mas a frase “Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…” coloca o filme no mesmo patamar das grandes sagas da antiguidade e o que vem depois, incluindo os dois episódios seguintes, o eleva a uma dimensão mítica. Nele encontramos a estrutura da jornada do herói, identificada por Joseph Campbell, em 1949, no livro “O Herói de Mil Faces”.

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante

Assim, misturando elementos visuais e narrativos de sua própria infância com as bases da mitologia universal, Lucas deu forma a um sonho antigo.

Um pouco de história

Desde os tempos de escola, George Lucas queria fazer ficção científica. Seu ideal era um filme “abstrato”, sem uma história linear e que não dependesse de atores para funcionar. Em 1967, enquanto ainda estudava na Universidade do Sul da Califórnia, fez um curta com um título longo: “Electronic Labyrinth THX 1138: 4EB”, retratando uma sociedade distópica e controladora onde as pessoas tinham números no lugar de nomes. Ninguém entendeu muito bem o enredo, mas muitos ficaram impressionados com a ousadia e a criatividade, principalmente Francis Ford Coppola. Cinco anos mais velho, o diretor de “O Poderoso Chefão” virou seu protetor e o tornou “vice-presidente” da American Zoetrope, produtora que ficava em San Francisco para escapar do controle dos estúdios de Hollywood.

Mas Coppola parecia ser o único a levá-lo a sério e por isso Lucas demorou quatro anos para conseguir a produção de um longa. Voltou ao mesmo enredo, só que com título mais curto: “THX 1138”. Não ouviu, no entanto, o conselho de quase todos que leram o roteiro e disseram para passar os bichinhos peludos e engraçados (que mais tarde seriam os Ewoks) logo para o começo da história. O filme foi um total fracasso e gerou revolta no futuro dono da THX (empresa de áudio para cinema), que insistia que fazer um filme que agradasse a todos era muito fácil e bobo.

Loucuras de verãoPara provar sua teoria, escreveu e dirigiu o delicioso “Loucuras de Verão” (American Graffiti), em 1973 que, além de ganhar o Globo de Ouro e ter cinco indicações para o Oscar, custou US$ 775 mil e rendeu US$ 55 milhões.

A trama romântica, que retrata as aventuras e desventuras de jovens absolutamente comuns, deixou claro que Lucas não tinha a menor aptidão para dirigir atores, mas abriu seus olhos para o fato de já haver um cansaço dos rebeldes e ácidos filmes, sempre críticos da sociedade americana, que empolgavam o público há anos.

 

A geração sexo, drogas e rock’n’roll 

Na segunda metade dos anos sessenta, os grandes estúdios estavam à beira da falência. Seus executivos tinham passado as últimas duas décadas entre jantares e festas e tentavam descobrir por que as comédias românticas e os filmes com mocinhos e bandidos já não davam o retorno esperado, quando apareceram roteiristas e diretores com enredos cheios de violência e denúncia, mostrando gente pobre, o submundo do crime e a reação da juventude à guerra do Vietnã. Eram produções baratas, muitas vezes em preto e branco que, em última instância, apresentavam o homem comum como vítima e o status quo como grande vilão. Para os produtores, que não conseguiam entendê-las, essas produções tinham um importante traço de união: rendiam muito em relação ao dinheiro investido.

Esse período, conhecido como “Nova Hollywood”, que marcou a chegada da primeira geração de profissionais com diploma de cinema, tinha um esquema simples. Como não conseguiam saber o que o público queria e como as novas produções funcionavam, os executivos ofereciam um orçamento baixo, com salários perto do ridículo, e carta branca aos jovens cineastas, que teriam liberdade total de criação e participação nos lucros, se eles um dia existissem.

E isso foi feito também com George Lucas. Ele recebeu 15 mil dólares para desenvolver o roteiro, 50 mil para escrever e 100 mil para dirigir “Star Wars”. Em compensação, sua empresa ficaria com 40% do lucro líquido, se houvesse. O orçamento total da produção era de três milhões e meio de dólares.

O único problema é que tudo que ele sabia sobre o filme é que abria mostrando uma infinidade de naves e, de repente, surgia uma muito maior, que ocupava um quarto da tela e, então, esta era suplantada por outra tão grande que precisava passar por muito tempo diante da câmera porque não cabia no quadro.

Obi-Wan e George Lucas

     Três anos depois, os amigos estavam tontos, tentando entender as alterações do roteiro. O aventureiro Anakin Skykiller tinha se transformado no lavrador adolescente Luke Skywalker, enquanto o monge Obi-Wan se tornara o general aposentado Obi-Wan Kenobi. George Lucas procurou então uma dupla de respeitados roteiristas e ofereceu-lhes muito mais dinheiro do que havia recebido para que eles organizassem a trama, sem que o estúdio soubesse, que isso ficasse em segredo e eles nunca pedissem crédito pelo trabalho. Embora se atrapalhasse com a forma, ele sabia muito bem o que queria no conteúdo. Havia pesquisado e assistido tudo sobre ficção científica, mitos e contos de fadas, o que o levou a descoberta de Joseph Campbell, a chave para a história.

George Lucas Star Wars

Lucas acreditava que o público de “Loucuras de Verão” tinha em torno de 16 anos enquanto o novo projeto seria para a garotada de 10 a 12, que não tinha um mundo de fantasia como o das gerações anteriores. Para ele, a Disney havia desistido de seu império infantil sem ter ninguém para substituí-la. “Star Wars” era uma tentativa consciente de criar novos mitos. Mas ainda muita coisa aconteceria até o filme chegar às telas…

George Lucas Star Wars

Em breve teremos a continuação, aguardem …


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