Análise do filme Logan

Ronaldo Gomes, da RockCine, fez uma análise do filme Logan, último filme do personagem Wolverine interpretado pelo Hugh Jackman, confira.

Logan

Esqueça tudo o que já viu em filmes de super-heróis. Desde que Bryan Singer lançou um novo olhar sobre os X-Men, na aurora do século 21 – com elenco de alto nível e roteiro muito mais sofisticado que o habitual – ninguém mexia tanto com o gênero. Esta não é uma produção para divertir com lutas e perseguições. Embora esteja muito bem recheada delas, a ação está a serviço de uma trama pesada e sombria.

Logan estilo sombrio

“Logan” nos mostra como estão as coisas em 2029. Faz vinte e cinco anos que não nasce ninguém com aptidões especiais e os mutantes estão praticamente extintos. Nesse ambiente, o mais popular dos X-Men está perdendo a capacidade de regeneração. Envelhecido e bêbado, se parece pouco com o Wolverine que conhecemos. Apenas o mau humor e o pessimismo continuam firmes e em vários aspectos exacerbados. Sua única relação com os velhos tempos é o professor Xavier que, com a mente afetada pela senilidade, fica confinado num barracão decrépito.

Logan e Xavier

Esse, no entanto, é só o ponto de partida do enredo. O aparecimento de uma menina com habilidades muito parecidas com as de Logan, caçada por todo um exército de mercenários, muda tudo, forçando nosso herói a sair de seu isolamento. Resta saber se ele ainda é capaz de enfrentar esse mundo tão hostil e opressivo, no qual já tinha desistido de viver.

Logan e X23

Mas o personagem não foi o único que sofreu com o avanço do tempo. O próprio Hugh Jackman (que está chegando aos 50 anos) não queria mais o papel de Wolverine, considerando-se muito velho para voltar à forma física exigida para interpretar o mutante canadense. Mesmo em “X-Men: Apocalipse”, só aceitou participar de cenas escuras ou distantes em que seus músculos não ficassem em evidência.

A força do dinheiro

Embora não se pareça com nenhum outro filme do gênero, este deve muito, de certa forma, à experiência acumulada nos últimos tempos. Absurdamente, ele só se tornou possível graças a “Deadpool”, outra produção da Marvel que foge do modelo, mas por razões absolutamente diferentes, e que só chegou às telas graças aos quase obsessivos esforços de Ryan Reynolds.

Logan - estilo Deadpool

Foi o estrondoso sucesso do brutal anti-herói de Reynolds que deu argumentos ao diretor James Mangold – que além de criar a história também foi produtor executivo – para defender um filme cheio de violência e sangue desde a primeira cena. Mas, para poder escapar do trinômio bilheteria-pipoca-refrigerante, que dita as regras em Hollywood, o custo precisou ser baixado para menos de cem milhões de dólares (o orçamento original era de 150 milhões), reduzindo assim os riscos dos investidores. O resultado comprovou que Mangold estava certo.

O herói de mil faces

Toda saga deve ter um fim, ainda que seja só para permitir que tudo comece de novo. Foi o que vimos acontecer, por exemplo, com Batman e Homem-Aranha. E no caso do aracnídeo já são três vezes, desde 2002, quando Sam Raimi jogou o herói nos braços do público.

Mas “Logan” não é um mero fecho. A última aventura de Hugh Jackman como o mutante é, em parte, um road movie, mas não só. Muitos preferiram compará-lo a um faroeste, por sua dimensão épica e pelas citações do clássico “Shane” (“Os Brutos Também Amam”), de 1953. Entretanto, ele vai além. Se por um lado, em algumas das cenas de ação, remete aos Mad Max originais de George Miller, seu pessimismo tem elementos de film noir e, ao final, revela uma grandeza que lembra Clint Eastwood. E isso não se dá pelo tratamento visual, ritmo, ou estilo de direção.

Logan

Quando o filme termina deixa o mesmo sentimento complexo e impossível de nomear que experimentamos ao final de “Menina de Ouro” ou “Gran Torino”, por exemplo. Fica o desconcertante testemunho da vida de um personagem que cumpre o seu papel de acordo com uma ética pessoal que independe de leis ou sistemas; o retrato do herói que transcende sua própria história e faz o que sabe que precisa ser feito a despeito do que os outros desejam ou esperam.

Uma vez completada, a saga eleva seu protagonista a condição de lenda. Agora, ela já pode ser contada novamente, com outros enfoques e novas faces.


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Um comentário sobre “Análise do filme Logan

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