Análise do Oscar 2017

A 89ª entrega de prêmios da Academia foi o assunto nas últimas semanas e Ronaldo Gomes da RockCine fez uma análise do evento e dos grandes vencedores da noite.

Oscar 2017 

Hollywood valoriza filmes de verdade 

Uma das primeiras piadas de Jimmy Kimmel, na apresentação do Oscar deste ano, foi um agradecimento a Donald Trump. No ano passado, disse ele, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood é que parecia racista. Essa foi uma referência ao protesto, encabeçado por Will Smith e Spike Lee, por não haver negros indicados aos principais prêmios, em 2016. Na comparação com Trump, é fato, qualquer um parece progressista e sem preconceitos.

Jimmy Kimmel 0scar 2017

Mas a última eleição presidencial teve mais reflexos para o mundo do cinema do que pode parecer à primeira vista. O primeiro é econômico. Há preocupação com a política externa do novo governo, porque a China já é o segundo mercado – que não para de crescer – para os filmes americanos. O governo chinês, no entanto, determina cotas para filmes estrangeiros e pode reduzir o número de produções norte-americanas se o novo presidente dos EUA cumprir suas promessas de sobretaxar os produtos made in China.

Mas as posições de Trump parecem ter levado boa parte dos membros da Academia a prestar atenção a vários aspectos dos filmes e não só a sua capacidade de atrair público e vender pipoca. Pelo menos essa é a impressão deixada pelas indicações ao Oscar deste ano. Entre os que concorriam aos principais prêmios, várias produções pequenas, que não geraram estrondosas bilheterias.

Baixo custo

La La Land Oscar 2017

Mesmo o reluzente e colorido “La La Land: Cantando Estações” tem um orçamento modesto para os padrões americanos, 30 milhões de dólares. Só para dar uma ideia, “Rogue One: Uma História Star Wars” foi avaliado em US$ 200 milhões e “Vingadores: Era de Ultron” em US$ 250 milhões.

Dos indicados deste ano, o mais caro, “A Chegada”, é uma ficção científica, logo, depende de muita computação gráfica e efeitos especiais, mesmo assim, não ultrapassou US$ 47 milhões. O principal traço de união entre esses concorrentes, no entanto, não é o orçamento, mas o fato de todos fugirem completamente aos clichês testados e aprovados por Hollywood.

A Chegada Oscar 2017 Amy Adams

“A Chegada”, talvez seja o mais estranho. Embora trate do contato com extraterrestres, parece um documentário, colocando questões muito realistas sobre nosso comportamento, assim como o dos governos, na hipótese de um encontro com seres absolutamente diferentes. Além de não ser um filme de ação e aventura, tem uma professora de linguística – Amy Adams, merecedora de uma estatueta – como personagem principal. Apesar de toda a seriedade, conquistou o público e a Academia.

Estrelas Além do Tempo Oscar 2017

Estrelas Além do Tempo (US$ 25 milhões) já nasceu um clássico. Roteiro, elenco e direção perfeitos, numa produção que não perde o humor para contar a história real de mulheres negras lutando contra a discriminação, nos anos 1960.

A Qualquer Custo Oscar 2017

Já “A Qualquer Custo” (US$ 12 milhões) tem a força e a contundência de um filme dos anos 1970, quando a primeira geração de loucos vindos das escolas de cinema, como Scorsese, Coppola e Dennis Hopper, revolucionou Hollywood. Mostra o jogo de gato e rato entre dois irmãos assaltantes de bancos e um velho policial. Mas os vilões, logo fica claro, não são os ladrões e sim os bancos. É ótimo ver Chris Pine sujo, barbudo, cheio de dúvidas, provando que pode ir muito além do ascético Capitão Kirk.

O valor do roteiro

O Oscar de roteiro original foi dado, com muita propriedade, para Manchester à Beira-Mar (US$ 8,5 milhões), porque é, provavelmente, o roteiro de mais difícil execução de todos os tempos.

Manchester à Beira-Mar Oscar 2017

O reverenciado roteirista Charlie Kaufman escreveu, em 2002, “Adaptação”, uma história em que, absurdamente, o próprio Kaufman (interpretado por Nicholas Cage) é personagem. Ele passa boa parte do tempo explicando que quer fazer um filme que retrate pessoas normais, vivendo sem heroísmos ou aventuras, apenas “vidas reais”, mas desiste e acaba construindo uma trama de suspense e ação.

Kenneth Lonergan triunfa onde o personagem de Kaufman falhou. Seu filme emociona e até choca porque mostra exatamente como a vida é. Para completar, o elenco – desde o protagonista, Casey Affleck (que ganhou o prêmio de melhor ator), até o último figurante – é o mais apropriado que poderia existir.

Moonlight: Sob a Luz do Luar Oscar 2017

“Moonlight: Sob a Luz do Luar” (US$ 5 milhões), não é apenas o mais barato dos indicados aos principais prêmios da Academia – ganhou filme, roteiro adaptado e ator coadjuvante – é também o menos visto. Isso talvez seja devido ao fato de ter sido anunciado como uma história de tráfico de drogas e homossexualismo, o que afasta boa parte do público. Mas esse não é o foco da trama. Moonlight trata de gente, de seus pontos fortes e fragilidades. Um filme que nos leva a pensar em como é fácil rotular os outros e como é difícil fazer o que a história faz, mostrar pessoas apenas como seres humanos.


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