Análise de Rogue One

As minorias comandam a trama de Rogue One.
Ronaldo Gomes da RockCine preparou uma análise do filme , confira.

Rogue One

Nada gerou tanta ansiedade e dúvida nos apaixonados por Star Wars – que aguardavam, aflitos, para invadir os cinemas do mundo inteiro – quanto Rogue One. Afinal, seria a primeira história fora da saga da família Skywalker sob o comando da Disney. Além disso, o diretor Gareth Edwards não tem nem a experiência nem o apelo de J.J. Abrams. Mas o resultado trouxe alívio e exultação para os amantes das aventuras criadas por George Lucas há quase meio século.

Rogue One Personagens

E embora seja sempre surpreendente, o filme tem tudo que se poderia esperar. Isso é possível exatamente porque sai do arco criado originalmente por Lucas. Sua vantagem está em apresentar um episódio completamente novo, com personagens antes ignorados, dentro de um argumento que, se prestarmos atenção, é um velho conhecido.

Há muito tempo…

O premiado escritor de ficção científica Robert Silverberg admite usar muitas vezes um recurso simples para criar enredos. Pega uma ideia, citada de passagem na obra de outro autor, e a desenvolve. É muito parecido com o que ocorre em “Rogue One: Uma História Star Wars”. Todo o enredo é baseado nos dois primeiros parágrafos do texto que abre o episódio IV, “Uma Nova Esperança”, que inaugurou a série em 1977. Quem não se lembra de “há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…”?

Como no caso de Silverberg, o caráter geral e não específico da citação deixa diretor e roteiristas à vontade para trabalhar o argumento. Assim, não há obstáculo ou preocupação em relação à coerência do desenvolvimento da saga, que o público já conhece tão bem.

Mas a liberdade, claro, não é total. Como em todo o cinema americano atualmente, o politicamente correto rege ações e relações. De maneira muito diferente da do filme dirigido por Lucas em 1977 – onde pouquíssimas mulheres e nenhum negro têm papel destacado – agora, são as minorias que comandam a trama.

Felicity Rogue One

Desafiadores

Começando pelo personagem de Felicity Jones, Jyn Erso, até Saw Gerrera interpretado por Forest Whitaker, passando por Cassian Andor, feito por Diego Luna, todos têm valores e éticas dúbias ou controversas. Ninguém está dentro do perfil do herói hollywoodiano. A história – com o tratamento visual grandioso, digno da estatura épica do enredo – tem muito mais de filme de guerra do que seus parentes mais velhos, que se aproximam dos antigos westerns.

No núcleo da trama, cada personagem tem a desconfiança dos outros ou do público, devendo aprender com a convivência a vencer preconceitos e ganhar o respeito dos demais – mesmo quando isso não é uma preocupação dos mais cínicos ou desiludidos.

Nesse aspecto, que preserva o arco clássico da “Jornada do Herói”, a estrutura do roteiro está a meio caminho – como poderão notar os mais velhos ou apreciadores de filmes antigos – entre “Os Sete Samurais” (Akira Kurosawa, 1954) e “Os Doze Condenados” (Robert Aldrich, 1967). O que não significa que o trabalho de Aldrich não tenha sido influenciado pelo de Kurosawa ou que ambos não tenham, por sua vez, influenciado muito do que veio depois.

Os sete samurais

Anacronismo?

O cinema americano já passou por muitas fases. Algumas terríveis, como durante o macarthismo, nos anos 1950, época em que profissionais eram proibidos de trabalhar quando acusados de esquerdismo – e qualquer um que não fosse absolutamente direitista poderia ser acusado. Sem contar a camisa de força do Código Hays – que virou regra em 1934 e ainda era levado em conta em 68, quando a revolta da juventude atingiu a América do Norte –, que vetava qualquer menção a adultério, suicídio e drogas, além de mostrar, no cinema e na TV, pessoas legalmente casadas dormindo em camas separadas e dando “boa-noite” de costas uma para a outra, antes de apagar os respectivos abajures.

Mas Hollywood sempre se recuperou e, graças a um mercado interno que exige espetáculos politicamente corretos, chegou ao momento atual. Por isso, se torna cômico que uma obra de sucesso esmagador, mostrando guerreiros de diferentes origens, etnias e religiões, lutando lado a lado contra a opressão, sem distinção de sexo ou idade, tenha entrado em cartaz tão perto da eleição de Donald Trump.


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