Crítica do filme A Chegada

Para quem gosta de ficção científica mais “cabeça” uma boa pedida é o filme A Chegada com Amy Adams. Ronaldo Gomes da RockCine preparou uma crítica do filme, confira.


A Chegada

É sempre complicado comentar um filme sem revelar segredos e surpresas para quem ainda não o viu – não “dar spoiler”, como se costuma dizer popularmente hoje. Esse não é o caso de “A Chegada”. Nele, só é possível contar a história inteira, com todos os detalhes, ou não dizer nada, pela própria estrutura da trama.

A Chegada

Está em qualquer teaser, trailer ou chamada comercial que o enredo trata do primeiro contato entre nós, terráqueos, e alienígenas que aparecem em diversos pontos do planeta e ficam lá, dentro de incompreensíveis aparelhos. O que estão esperando? Para que vieram? E o que pretendem? São as perguntas suscitadas pela imobilidade desses seres e seus dispositivos, enquanto os humanos veem todos seus medos e ansiedades aflorarem.

Ação

Quem prefere a típica ficção científica hollywoodiana, cheia de batalhas espaciais, duelos épicos e perseguições alucinantes, deve correr para a próxima seção de “Rogue One” ou esperar a estreia de “Guardiões da Galáxia Vol.2”.

Denis Villeneuve nunca foi um diretor de filmes de ação, preferindo histórias que, ainda que contenham violência, propõem questões básicas e discussões éticas. Em “A Chegada”, não é diferente. Mas desta vez ele se uniu ao roteirista Eric Heisserer, que precisou se tornar também produtor executivo para superar obstáculos criados por produtores e financiadores cinematográficos que não gostavam da ideia de um enredo sem vilões interestelares, super-heróis, meta humanos ou mutantes.

Denis Villeneuve diretor de A Chegada

Gênero

Outra dificuldade foi a protagonista. Assustava os mandachuvas, que preferiam batalhas entre aliens e terráqueos comandados por um ator campeão de bilheteria, ter uma mulher no papel principal. Hollywood sempre preferiu, mesmo em tempos do politicamente correto, garotas bonitas e ingênuas – ainda que capazes de dar alguns socos e pontapés e, eventualmente, ajudar o herói a salvar o planeta – que funcionem bem como enfeite, na tela.

Amy Adams

Sorte nossa que diretor e roteirista insistiram nessa fidelidade à história original. Já estava mais que na hora de Amy Adams estrelar num papel dramático que lhe reconhecesse a estatura. E ela, mais uma vez, não decepciona.

Chave

Por mais que o conto original de Ted Chiang tenha sido respeitado, perde-se bastante, no roteiro, do principal processo de investigação da linguagem dos alienígenas. Fica um pouco difícil para o público entender que o idioma falado deles é um, digamos assim, “fluxo”, enquanto na escrita cada caractere, que é circular, contém um raciocínio completo. Assim, quando começam a escrever já sabem como a frase termina e que tamanho ela terá.

É desse fato que a linguista interpretada por Adams deduz a maneira que eles têm de entender o mundo e o tempo. E é essa chave que permite a comunicação e revela o mistério de suas intenções (e muito mais). Isso se reflete na própria estrutura do filme, que tem uma narrativa circular, que só se completa e fecha no final.

A Chegada sinais de comunicação

Mas o importante de “A Chegada” não está no tocante drama pessoal da linguista ou nas explicações para a presença dos aliens em nosso planeta. O melhor da história fica com as perguntas que todos formulamos diante da realista abordagem dessa inesperada visita. Como nos comportaríamos e a que chegaríamos levados pelo medo e a desconfiança não só nos E.T.s, mas em nós mesmos, que não nos reconhecemos como um único povo nem como humanamente iguais.


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3 comentários sobre “Crítica do filme A Chegada

  1. Pingback: Análise do Oscar 2017 – RockCine Blog

  2. Renata Cortes

    Um filme que vale a pena assistir. Ancho que A chegada é umo dos melhores filmes com Amy Adams esta impecável no filme. Ela sempre surpreende com os seus papeis, pois se mete de cabeça nas suas atuações e contagia profundamente a todos com as suas emoções. Seguramente o êxito deste filme deve-se a participação dela no filme. Além, acho que a sua participação neste filme de ficção cientifica, realmente ajudou ao desenvolvimento da história.

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