Black Sabbath turnê de despedida e álbum Sabotage de 1975

Black Sabbath está com a sua turnê de despedida “The End” que dia 04 passará por São Paulo no estádio do Morumbi e o público deve esperar um show intenso. Ricardo Góis da RockCine conta um pouco do set list do show e da relação da banda com o álbum Sabotage.

Black Sabbath e Sabotage: A Ovelha Negra de 1975.

O Black Sabbath toca mais uma vez no Brasil, na perna sul americana da turnê “The End”. Tive a oportunidade de vê-los quando vieram apresentar o (honesto) álbum “13” e o show foi genial. O Campo de Marte – pequeno aeroporto em São Paulo – passa muito longe de ser um bom lugar para um concerto de qualquer gênero musical, muito menos daquela que é maior banda de heavy metal da historia para muita gente.

The End - turnê de Black Sabbath

Desta vez, o Estádio do Morumbi será testemunha do que deve ser o último show de Ozzy e Cia em terras brasileiras. O set list é recheado de musicas de Paranoid, álbum que carrega uma quantidade de clássicos que se destacaria na discografia de qualquer banda. Faixas do primeiro álbum da banda, Master Of Reality e de Vol.4 terminam de rechear o repertorio e Dirty Women costuma ser executada desde a primeira turnê de reunião da banda, em 1997-98. Nada de 13, Sabbath Bloody Sabbath ou o espetacular Sabotage. Isso não significa que o show fica devendo, mas nos leva para o assunto do artigo, que é o álbum de estúdio mais duro e sólido da carreira do Sabbath e mesmo assim, deixado de lado. A banda poucas vezes incluiu faixas do disco nas coletâneas ou álbuns ao vivo e de cara é difícil entender direito por quê.

Álbum Sabotage - Black Sabbath

  Sabotage recebeu este nome devido a uma série de problemas e conflitos judiciais com seu empresário, Patrick Meehan. A banda descobriu, ainda na época de Sabbath Bloody Sabbath, que o management todo tinha um esquema que fez a banda sentir-se enganada e roubada. Sabotada. Em 1975, durante as gravações do álbum, documentos relativos ao processo eram entregues na mesa de mixagem, e Bill Ward perdia algum tempo no telefone com o assunto.

Sabbath Bloody SabbathCom toda essa bagunça, a banda tentava fazer um “álbum de rock”. Sabbath Bloody… não era um disco tão direto, contava com orquestra, sintetizadores e outros experimentos em praticamente todas as faixas. Para Tony Iommi, era o momento de focar nos timbres de guitarra, de forma que eles dessem corpo a riffs que podiam ter o seu peso medido em tonelada. Bill Ward também buscava caminhos novos, se apoiando em um kit de bateria bem maior do que o costumeiro até então. Essa era a tônica do álbum, e diferia bastante do cenário musical de 1975, ano em que esta obra prima foi lançada.

A contextualizar, este foi o ano em que saíram Come Taste The Band – Deep Purple, Physical Graffiti – Led Zeppelin, One Size Fits All – Frank Zappa e Wish You Were Here – Pink Floyd.  Estou economizando nos exemplos, porque foi um ano realmente prolífico e todos estes álbuns se caracterizaram por sonoridades bastante diversas, por onde o Sabbath também passou. O impacto de Sabotage foi ainda maior por estar na contramão do que era feito á época. Nota do redator: se algum dos trabalhos citados falta na sua coleção, use o Spotify (ou a ferramenta que preferir) e ouça todos. São essenciais! Principalmente se você é instrumentista de qualquer nível.

Black Sabbath 1975

Aí vem o Black Sabbath, abrindo com Hole in The Sky e Symptom Of The Universe, separadas por Don’t Start (Too Late). Duas pauladas estilo pouco papo e muito som com cinquenta segundos acústicos no meio.  O embalo segue com Megalomania, faixa com quase 10 minutos que flerta com progressivo, mas é simplesmente bruta demais para classificar como tal. The Thrill Of It All. Dentro desse furacão ainda havia espaço para músicas como Supertzar, uma conversa entre guitarras/orquestra e Am I Going Insane (Radio), que ainda me é difícil de definir. The Writ, que fecha o álbum, é uma das poucas musicas da banda escrita por Ozzy Osbourne e talvez isso explique a intensidade vocal da faixa, já que Geezer Butler assina a maioria das letras desta formação do Sabbath. A execução de todos os integrantes dão a impressão de uma espécie de exorcismo, para enterrar de vez trás uma fase bem ruim. O resultado é um registro de voltagem máxima, com timbres que beiram a perfeição e uma mixagem que permite ouvir desde as linhas de guitarra e baixo trabalhando, até a contagem na intro de Hole In The Sky.

É como se o álbum fosse o Bear Jew de Bastardos Inglórios.

Bear Jew de Bastardos Inglórios

Ou Clubber Lang, de Rocky 3.

Clubber Lang, de Rocky 3

Apesar de toda a turbulência no processo, não dá pra afirmar que a banda tem a mesma repulsa pelo álbum que Tim Maia teve pelo seu Racional volumes 1 e 2. O material foi completamente rejeitado pelo cantor quando este passou a acreditar que o tal Universo Em Desencanto não passava de uma charlatanice.

Show Black Sabbath

Fato é que as musicas foram pouco executadas ao vivo e desta vez em São Paulo não deve ser diferente. Felizmente, Sabotage deve ficar muito tempo por aí, em muitas plataformas, para ser apreciado. Garanto que funciona tanto para ouvir minuciosamente sentado no chão da sala com seu melhor fone de ouvido ou para um bate cabeça imaginário enquanto você se desloca pela cidade.


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2 comentários sobre “Black Sabbath turnê de despedida e álbum Sabotage de 1975

  1. Carlos

    Eu vi o show em SP, e na minha opinião o fato de não ter nenhuma musica do Sabotage, é simplesmente o Ozzy não conseguir reproduzir as musicas próximas ao vocal original. Infelizmente a idade está pesando a voz do Ozzy, e por mais que eu ainda adore ouvir ele cantando, é bem perceptível. Um exemplo disto foi Children of the grave cantada no dia 4, os agudos simplesmente não saiam.

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  2. Tenho o LP de 1975, assiti as apresentações do Sabbath em 2013 – POA/RS e 2016 – CTBA/PR. Curto “Sabotage” por causa de “Sympton Of The Universe”, por influenciar grupos como Venom, Slayer. Estes dois ultimos ajudaram a desenvolver o metal dos anos 1980 e 1990!! “Nada se inventa, tudo se copia!” Alias, “Sympton…” foi tocada em versão inrstumental em 2013. Lembro bem!!!!

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