Esquadrão Suicida – Crítica

O mais recente filme da DC está nos cinemas e o Ronaldo Gomes da RockCine preparou uma crítica do filme, confira.

Esquadrão Suicida

Finalmente! Depois de longa espera e grande expectativa, “Esquadrão Suicida” chegou às telas. Mas os vilões já estrearam sob a acusação de crime de abuso de edição. A suspeita seria de que a montagem do filme foi drasticamente alterada, até com a inclusão de cenas adicionais, feitas após a dispensa oficial do elenco, para deixa-lo mais leve e engraçado. O motivo seria o retumbante sucesso de “Deadpool”, que teria assustado os executivos do estúdio. O tom original da produção, mais pesado e denso, poderia afugentar o público, temeriam eles.

Na internet, foram feitas até listas de cenas dos primeiros trailers que não entraram no filme. Em meio a muitas discussões e acusações, a ansiedade por um grande espetáculo se transformou rapidamente em ameaça de mais um desastre da DC/Warner. E as primeiras críticas foram extremamente negativas. Houve até quem dissesse que o resultado era pior que “Batman vs. Superman”. Mas, para sorte de todos, não era nada disso.

Elenco Esquadrão Suicida

É verdade que não se trata de um grande épico, como outras superproduções (X Men ou Capitão América, por exemplo – lembrando que não estão sendo comparados aqui os universos Marvel e DC, mas os filmes feitos sobre um e outro), o que não significa que “Esquadrão Suicida” não tenha qualidades.

Margot Robie talvez seja a melhor delas. Com beleza e charme absolutamente adequados ao personagem de Arlequina, ela não só dá o alívio cômico necessário, como gera um contraponto “romântico” à desmesurada ação da história. De resto, o elenco é correto. O núcleo principal, encabeçado por Will Smith, sustenta bem o enredo, principalmente porque muitos são apenas tipos, sem a menor necessidade de interpretação, A exceção fica por conta do Coringa de Jared Leto.

Arlequina e Coringa

Retrato da loucura

Depois da grande interpretação, ganhadora do Oscar, de Heath Ledger em “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, era o Coringa que todos queriam ver para saber se mantinha a força da caracterização anterior.

Coringa Esquadrão Suicida

 

Embora apareça pouco (pelo menos muito menos do que o público aficionado gostaria), o personagem, marcante desde a origem nos quadrinhos, segue atraindo interesse. Agora, bem mais enxuto e charmoso (principalmente por causa da relação com Arlequina), ele continua insano e assustador, como deveria. Só que é mais uma participação especial, sem muita relação com a trama central, para desgosto dos fãs de grandes vilões. Fica a impressão de que isso foi mais uma estratégia dos produtores para alimentar no público o desejo de ver com mais detalhes a construção feita por Leto (que também já ganhou um Oscar por “Clube de Compras Dallas”).

Viola Davis
Viola Davis

Outra participação importante é a da sempre forte Viola Davis, como a chefona Amanda Waller, de caráter dúbio e amoral (assim como o seu personagem Annalise Keating, na série “How to Get Away with Murder”). É ela a responsável pela constituição do esquadrão, assim como de alguns dos maiores furos da história.

 

Marca da violência

David Ayer
David Ayer

David Ayer é bem conhecido como diretor e roteirista, mas seus filmes policiais, sempre passados na mesma área de Los Angeles em que cresceu, são bem mais consistentes que os de ação (que nem por isso deixam de ser um bom entretenimento).

 

Em “Esquadrão Suicida”, ele não parte de um argumento bem estruturado – afinal, para que juntar um bando de loucos perigosos se ainda não há uma ameaça que justifique essa temeridade? –, nem amarra muito bem o roteiro. Ninguém perde tempo explicando, por exemplo, como um personagem está totalmente imóvel, semimorto, controlado por magia, e no momento seguinte já tem total controle da situação.

Além disso, o diretor dispensa as trabalhosas coreografias das cenas de ação (ponto central e nevrálgico do trabalho) para resolver tudo numa montagem vertiginosa. Ele alterna planos bem gerais e closes bastante fechados, saltando de um personagem para outro e tirando a referência visual do que acontece. O público só sabe que lado está ganhando a luta pelo número de inimigos que aparecem caindo. E só é possível saber que a batalha acabou quando os sobreviventes trocam olhares e voltam a agir com tranquilidade.

Olhos no futuro

Ainda assim, a resposta do público tem sido muito boa. O consenso geral é de que esta é uma produção bem mais interessante e divertida que a inexplicável briga entre o Superman e o Homem Morcego. A bilheteria foi de quase US$ 270 milhões (em todo mundo) só no fim de semana de estreia.

No final, a impressão é que esta é muito mais uma preparação para as próximas produções sobre o Universo DC, incluindo não só a Liga da Justiça como filmes específicos dos principais vilões. A Warner Bros. teria confirmado ao site “The Wrap” que está trabalhando em uma aventura com a Arlequina. O projeto reuniria diversos personagens femininos, entre heroínas e vilãs.

Apesar de Ben Affleck, que ainda enfrenta muita resistência dos fãs, no mundo inteiro, a ansiedade geral é para o encontro de Batman com o novo Coringa. Aí saberemos se Jared Leto é tão bom quanto pareceu.

A Origem

Neste momento, quando Marvel e DC disputam o público com todas as armas, é bom lembrar que esses heróis e vilões nasceram nos quadrinhos e, apesar de toda a publicidade e dinheiro envolvidos nas megaproduções de hoje, talvez nunca alcancem no cinema a criatividade e a beleza que tiveram nos gibis.

Batman e Coringa são os maiores exemplos da revolução que nos anos 1980/90 transformou as HQs, até então publicações voltadas para garotos entre oito e quatorze anos, em forma de arte respeitada.

A Piada Mortal

Publicada originalmente em 1988, “A Piada Mortal” continua sendo reeditada até hoje e acaba de ser lançada em DVD, numa animação. A criação de Alan Moore e Brian Bolland definiu para sempre os personagens do Homem Morcego e seu antagonista, o maior de todos os criminosos insanos. Não importa que grande astro de Hollywood assuma o papel do herói ou do vilão, a força deles deriva dos quadrinhos que não desbotaram com o passar do tempo.

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