Review do novo álbum A Moon Shaped Pool do Radiohead

Radiohead inova sem perder sua identidade

Banda inglesa de rock alternativo, formada no ano de 1985 em Oxford, Radiohead lançou seu mais novo álbum “A Moon Shaped Pool” e  Denis Vini da RockCine fez um review e conta para nós como está esse novo álbum, confira.

Ouvimos o “A Moon Shaped Pool” do Radiohead

Mais de 5 anos. Esse é o período entre o último disco da banda (The King of Limbs, 2011) e este. Após a turnê que acabou em 2012, a banda entrou em um hiato e seus integrantes investiram em projetos paralelos até maio deste ano. Nesta data, A Moon Shaped Pool veio ao público e é o nono disco de estúdio do Radiohead.

Vou tentar passar minhas primeiras impressões após ouvi-lo algumas vezes, começando com alguns detalhes legais e curiosos que não estão inclusos, necessariamente, na análise técnica do som:

Primeiro, a arte do CD:

Arte do álbum A moon shaped pool da banda Radiohead
Álbum A moon shaped pool

Criada por Stanley Donwood, que acompanha a banda desde 1995, esta arte faz parte mesmo do projeto e está em paralelo ao conceito inteiro do CD. O artista trabalhou em uma fazenda que ficava perto do estúdio e ouvia (via caixas de som conectadas) toda a gravação em tempo real para se inspirar e deixar que a música influenciasse na arte.

Segundo, a ordem das músicas:

Este que vos escreve já lançou dois discos de estúdio e está gravando o terceiro. Pra mim, algo muito difícil de definir (e sei que parece bobo!) é a ordem das músicas no CD. No AMSP, o Radiohead optou por, simplesmente, colocar as músicas em ordem alfabética. Não sei se há um motivo não revelado pra esta escolha ou se é apenas um estatuto da banda para amplificar a bobagem que há nisso, já que, hoje em dia, a maioria das pessoas escuta música em ordem aleatória.

A Moon Shaped Pool - Radiohead

Enfim, analisando o lado musical do disco, percebi algumas coisas muito interessantes. O Radiohead é, talvez, a banda mais difícil de se analisar no mundo todo, afinal, desde o OK Computer de 1997, a banda sempre traz elementos novos para o próximo disco e, claro, neste não foi diferente.

Este álbum contém muita influência dos trabalhos solos dos integrantes durante o hiato da banda, com destaque para a presença da London Contemporary Orchestra, que trabalhou com o multi-instrumentista Jonny Greenwood neste período. Esta parceria continuou no AMSP e trouxe um toque de sofisticação ao trabalho já sofisticado da banda. Aliás, Greenwood pode ser o grande destaque positivo deste álbum, pois, além dos arranjos da orquestra, seus elementos de guitarra e violão ficam mais presentes com a diminuição dos elementos eletrônicos para este projeto. Os violões do disco, em especial, são excelentes e ditam um tom folk por onde passam.

Jonny Greenwood
Jonny Greenwood

Thom Yorke, como sempre, dita o tom depressivo da banda e parece trazer para este CD elementos de sua vida pessoal. Neste período, ele havia se separado da mãe de seus filhos e terminado um relacionamento de 23 anos. No geral, a melancolia do Radiohead aparece por meio de elementos de som e melodias tristes. No AMSP, ela vem de maneira mais direta e pura, como na faixa Daydreaming, onde Thom fala várias vezes a frase “Half of my life” (metade da minha vida) com efeito reverso. Nota: ele estava com 46 anos quando escreveu a faixa e o relacionamento terminado, como dito acima, tinha 23 anos.

Thom Yorke
Thom Yorke

Enfim, vale muito a pena escutar este novo disco. Ele é maduro, intenso, inovador e carregado de emoção. É incrível como o Radiohead inova sempre e nunca perde sua identidade. Das bandas famosas do mundo, talvez seja a mais peculiar por, de fato, não fazer a menor questão em “jogar no time que está vencendo” e manter um estilo que já funcionou anteriormente.

Meus destaques do CD são as faixas Present Tense, Desert Island Disk e True Love Waits. Também destaco os elementos lindos de orquestra presentes em quase todo o trabalho e a ausência de tantos elementos eletrônicos, que faziam parte da banda nos últimos discos.

Pra mim, é o grande disco de 2016 até agora.

Radiohead

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