Química de Dave Grohl e Taylor Hawkins

Personalidades musicais que se cruzaram a ponto de dividir as composições de inegável talento, Ricardo Góis da RockCine fala sobre essa química presente no Foo Fighters.

GROHL & HAWKINS

Diferente de outros grupos que surgiram ou estavam na ativa quando Dave Grohl apareceu com o Foo Fighters, os membros da banda nunca passaram perto de ter algum destaque em relação ao líder. A exceção era o “outro” baterista. Mesmo com algumas mudanças de formação, para muita gente, a banda é Dave Grohl e Taylor Hawkins  – que já se destacava tocando com Alanis Morissette – e mais uma turma. Ponto final.

Dave Grohl e Taylor Hawkins

De fato, são dois músicos de mão cheia e completíssimos. Bateristas espetaculares que além de conviver entre sessões e concertos, desenvolveram uma química genial em vários aspectos. Suas personalidades musicais se cruzam a ponto de dividir as composições, ambos tem inegável talento em suas funções, ambos capazes de tocar e cantar de formas bastante diferentes. “Stay With Me” do Faces estava no setlist da tour de Sonic Highways, com Taylor tocando e fazendo a voz principal enquanto Dave tocava bateria em “Tie Your Mother Down” do Queen.  Por mais que o vocalista faça o tipo boa praça e seja extremamente carismático, ser um “cara legal” está longe de ser verdade quando o papo é som. O primeiro baterista de turnê do Foo Fighters, William Goldsmith, gravou todas as faixas de The Colour And The Shape, faixas como “Everlong” e “Monkey Wrench”, onde a bateria carrega a banda toda. Aos poucos, essas faixas foram sendo regravadas por Dave, meio que na surdina. Como resultado, o musico deixou a banda, se sentindo traído, e Hawkins se prontificou a assumir o posto.

Dave Grohl na bateria

Tocar com o maior baterista de rock dos anos 90 – afirmação de caras do calibre de Chad Smith – não seria missão simples, mas ele tinha mais do que o necessário para ser o titular absoluto das baquetas do Foo Fighters. Com a entrada de Taylor, a banda começou tomar a forma que conhecemos.

 

Grohl era baterista do Nirvana, mas não gravou o primeiro álbum, aparecendo em Nevermind e nos álbuns seguintes. Basta ouvir duas faixas (talvez uma) de Bleachpara que fique claro como bateristas podem e devem mudar completamente o som de uma banda. Em estúdio, trocava de baquetas a cada duas musicas, quebrava pratos, um rolo compressor.  Punk e metal se misturavam e funcionava. Consistente no palco, mesmo nos tempos mais caóticos da banda, como nos shows do Hollywood Rock, em 1993. Após o suicídio de Kurt Cobain e fim da banda, Dave tocou todos os instrumentos nas sessões do primeiro álbum do Foo Fighters mas deixou a bateria para assumir a frente da banda no palco. Justificava a elétrica performance dizendo que “havia ficado num banquinho de bateria por 10 anos, agora eu faço o que achar melhor”. Quando o Foo Fighters embalou, eu imaginei que jamais veria o monstro tocando bateria de novo, uma pena. Por mais que ele fosse excelente frontman, o grande baterista de uma geração estaria aposentado.

Foo Fighters - Dave Grohl - ao vivo

Demorou um tanto, mas ele voltou! A paixão de Dave pela bateria ainda ecoa em álbuns do Queens Of The Stone Age – entre eles o imperdível Songs For The Deaf – além de projetos como Probot e Them Crooked Vultures. Mesmo que de forma esporádica, fica evidente a evolução de Grohl como baterista e sua capacidade de transitar com naturalidade entre linguagens muito diferentes de rock, do mais clássico ao punk/hardcore, passando por alternativo e o que houver no meio. Tudo com um peso e uma execução de encher os olhos. Se ele gravar uma faixa para qualquer artista. Miley Cyrus, Kate Perry, Enrique Iglesias eu saio correndo para ouvir, não importa quem seja.

Taylor Hawkins na bateria

Taylor Hawkins veio de outra escola. O rock progressivo de Genesis, Yes e Rush, além de Queen (Roger Taylor é o grande herói de Hawkins) e The Police contaminaram o músico desde muito cedo. Mesmo o Foo Fighters não tendo relação direta com estes grupos, não é difícil de notar referencias diretas nas frases de bateria da banda, ainda que de forma discreta. O estilo agressivo e limpo, de grande precisão técnica saltam aos ouvidos mesmo no distorcido som de álbuns como In Your Honor e Wasting Light.

Taylor Hawkins and The Coattail Riders

Os projetos solo do baterista são bem menos conhecidos do que os de Dave Grohl e no principal deles, Taylor Hawkins & The Coattail Riders, ele assume os vocais além da bateria. As composições tem bastante de progressivo, o trabalho de bateria é fantástico e a banda ao vivo, com Taylor tocando e cantando ao mesmo tempo é de cair o queixo.

A relação entre os dois teve percalços, como o vicio (chegando a overdose) de Hawkins em heroína, e o deslumbramento de Dave com o som do Queens Of The Stone Age após gravar e excursionar com a banda. Ambas situações criaram uma tensão no grupo. Após algum período de reabilitação e descanso, seguiram em frente, mostrando mais força a cada álbum e turnê novos.  A química entre Grohl & Hawkins segue firme e a banda com certeza ainda vai longe.  Me parece que sem estes dois bateristas,  o Foo Fighters não existiria da maneira que conhecemos.

Um comentário sobre “Química de Dave Grohl e Taylor Hawkins

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