Motorhead o peso da influência em todos os gêneros do rock

Motorhead, banda contaminou tudo o que conhecemos como musica rápida e pesada

Características singulares que influenciaram vários gêneros do rock

WE ARE MOTORHEAD

Por Ricardo Góis

Pelos idos de 1997, quando comecei a gostar de rock, o Motorhead já não era mais assunto. Linguagens mais pesadas tinham cada vez menos espaço em grandes veículos como rádio e televisão. O Sepultura aparecia bastante apenas com os singles do álbum que provou ser um autêntico divisor de águas, “Roots”. Em termos de exposição massiva, era isso. As rádios rock da época – 89 e Brasil 2000 – tinham programas dedicados a música mais pesada, sempre em horários meio ingratos e a MTV seguia a mesma linha, com algumas reprises durante a programação da semana e uma limitação importante: mesmo álbuns fantásticos como Master Of Puppets, …And Justice For All e o tal “disco preto” do Metallica, teriam no máximo 2, 3 videoclipes cada um. Ou seja, muita coisa boa jamais foi parar na televisão.

Clichê nunca é legal, principalmente quando é conversa de velho, mas YouTube e os muitos recursos que se tem hoje para ouvir musica não faziam nem parte de qualquer fantasia de quem deixava fita cassete o tempo todo no ponto, esperando tocar a musica que gostava para enfim gravar a bendita numa fita. Nada de romance aqui, acho fantástico hoje em dia ser muito mais fácil consultar a historia de qualquer gênero musical.

Tratando de som pesado/rápido, o Motorhead é uma instituição. Fundamental por muitos motivos. Em pleno 2016, ouvir os álbuns essenciais da banda podem causar uma sensação de “já ouvi isso antes”. Claro que sim, porque o Motorhead tocou antes!

40 anos na ativa, 22 albuns de estúdio, algumas mudanças de formação e um exército de seguidores que inclui gente do calibre de Dave Grohl, Ozzy Osbourne, Josh Homme, Kirk Hammett, Geezer Butler, Duff McKagan, Ice-T, Tom Morello, Geddy Lee, Fred Durst, e bandas como Krisiun, Ramones, Misfits e Anthrax. A lista vai longe, mas já se nota a quantidade de gêneros diferentes entre os citados. Thrash, Classic, Progressivo, New Metal, Rap, Hardcore, Punk, Alternativo. Existe Motorhead em praticamente tudo que se ouve de musica mais pesada até hoje, porque a banda reunia, sem pretensão, características muito singulares que influenciaram todo mundo. A tradicional discussão entre metaleiros e punks, um dizendo que punk não sabem tocar, o outro dizendo que metaleiro faz muita firula sempre teve trégua quando o Motorhead entrava na jogada.

Quando o assunto é rock, todos concordam com Motorhead

Lemmy insistia em dizer que a banda tocava “rock’n’roll”. Sem subgênero. Direto, bruto, rápido e levado meio na marra. Não da pra dizer que o som era tosco, mas também não tinha pompa. O visual agressivo, com a caveira de um javali como logo, as roupas de couro, Lemmy de cabelo comprido e Philty “Animal” Taylor atrás da bateria de cabelo espetado, tocando levadas com dois bumbos como Cozy Powell, mas sem o mesmo refinamento. Uma banda de rock tocando o mais alto que era possível, direto da rua, sem formação acadêmica. A mistura foi suficiente para ganhar a simpatia dos punks e inevitavelmente a atenção das bandas de metal que no inicio dos anos 80 estavam atrás do que conhecemos hoje como thrash metal. Durante os anos 90, 00 e 10 a banda seguiu produzindo bons albums a cada 2 anos, excursionando com frequência, mas o legado já havia sido deixado por 3 álbuns do inicio de carreira: Overkill,, No Sleep ‘Til Hammersmith e o mais famoso Ace Of Spades.

Ace of Spades - Motorhead
Ace of Spades – Motorhead

A faixa titulo desse álbum é a mais conhecida da banda sem duvidas. Eu ainda me lembro de quando a escutei pela primeira vez e ter ficado besta com o tempo dobrado da musica e o drive maluco da voz de Lemmy. Damage Case é tão direta quanto Loco Live dos Ramones. Ficar listando faixas não tem sentido, importa é que o som da banda misturou punk e metal e abriu caminho para muita gente em todas as ramificações de rock. Lanço o desafio: nesses três álbuns, com certeza você vai encontrar algo que a sua banda favorita dos anos 90 e 00 buscou e encontrou no Motorhead. Não vou mencionar a turma que veio antes, porque é mais evidente ainda. A “levada Motorhead” foi a fundação de muitas bandas de Thrash dos anos 80/90.

Lemmy Killmister Motorhead

Com status de lenda viva, Lemmy Kilmister faleceu em 28 de dezembro de 2015. A noticia não foi grande surpresa, já que ele estava doente há algum tempo. Algumas mudanças de hábitos, como trocar o Jack Cola ( mistura de Jack Daniels com Coca Cola ) por suco de laranja também indicavam que a saúde “não andava bem”. 70 anos de idade são sintomáticos para qualquer um, imagine para quem começou a carreira sendo roadie de Jimi Hendrix na década de 60. De qualquer forma, o Motorhead seguia em frente, em ritmo moderado de shows, um álbum novo a cada dois anos em média. Muito honesto para quem já havia contribuído tanto para o rock’n’roll a ponto de não precisar provar absolutamente nada para ninguém.

O Jack Cola agora é chamado de “Lemmy”, e a banda encerrou as atividades. O Metallica mandou o recado: “We Are Motorhead”. Acredite, eles sabem o que dizem. O Motorhead deixou um rastro que contaminou tudo o que conhecemos como musica rápida e pesada. É inevitável, imprescindível e genial.

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