Deadpool: A perseverança foi o verdadeiro herói

O sucesso de Deadpool teve um longo caminho

Deadpool que recentemente ganhou estatueta do MTV Movie Awards para melhor luta e melhor atuação de comédia com o astro Ryan Reynolds, foi dirigido pelo Tim Miller e distribuído pela Fox, esteve em desenvolvimento por mais de 10 anos e teve sua estreia em fevereiro de 2016. Confira a crítica feita pelo Ronaldo Gomes.

Deadpool, a vitória da perseverança

Perseverança que valeu a pena Crítica Deadpool Ronaldo Gomes RockCine

Não, o título acima não é um elogio ao personagem, que não prima por nenhuma virtude de esforço ou sacrifício, mas ao filme homônimo.

Há muito, cinema e público mereciam uma obra como Deadpool. O público, porque não existe nenhum pecado em ir para a sala de projeção carregando enormes baldes de pipoca que mais se espalhará pelo chão, entre risos e gritos, do que será propriamente consumida. Já o universo cinematográfico porque precisa respirar de tempos em tempos.

Foram os russos que primeiro encararam o cinema com seriedade, formulando teses e desenvolvendo-o como arte. Depois, vieram os dinamarqueses e alemães, mas estes logo tiveram que fugir do nazismo e, atravessando o Atlântico, foram enriquecer a linguagem de Hollywood, ocupando cargos criativos no cinema de entretenimento. De lá para cá, muito mudou.

F. F. Copolla Crítica Deadpool Ronaldo Gomes RockCineCoppola

Hoje, pode parecer que é fácil para um produtor pedir uns cem milhões de dólares para fazer um filme, mas não é bem assim.

O cultuadíssimo diretor Francis Ford Coppola desistiu de um projeto, depois de vários anos, por falta de financiamento. Ele tinha em mente uma produção de US$ 50 milhões, mas não conseguiu. Se quisesse vinte milhões, quantia considerada baixa para os padrões americanos, teria na hora. Só que isso não era suficiente para rodar a história que pretendia. Quando pedia mais, os produtores ofereciam logo cem, cento e vinte milhões, mas propunham mudanças no roteiro para que o filme se tornasse mais popular, alcançasse todos os públicos e desse retorno imediato. Isso, obviamente, era recusado por Coppola, que pretendia uma obra autoral. Após mais de uma década de negociações, o autor de “Apocalipse Now” e “O Poderoso Chefão” desistiu.

Ryan Reynolds Crítica Deadpool Ronaldo Gomes RockCineReynolds

Imaginem: se Francis Coppola perde uma batalha dessas, como as coisas podem ser difíceis para, por exemplo, Ryan Reynolds que produziu menos de meia dúzia de títulos em toda a vida. Mas sua luta, começada em 2002, em defesa de Deadpool, valeu à pena.

Foi muito grande a pressão para mais um filme de ação daqueles “para toda a família”. Sem palavrões, piadas sujas ou cenas muito pesadas (fossem de sexo ou violência). A equipe de Reynolds até tentou. Trocou de roteiristas várias vezes, mudando totalmente a concepção da história, e até de estúdio, mas ninguém se satisfez com os resultados. Por fim, voltaram à origem do personagem dos quadrinhos, o “Mercenário Tagarela”, absolutamente fora dos padrões de super-herói da Marvel. Aí, todos gostaram, mas foi preciso mais três anos de trabalho para convencer a Fox de que valeria à pena concretizar o projeto.

Resultado delicioso

Tim Miller na direção Crítica Deadpool Ronaldo Gomes RockCine

A escolha de Tim Miller – estreante na direção de longa metragem, mas respeitado na área de criação, animação e efeitos especiais – foi o primeiro grande passo para a medida certa em leveza e comicidade. E o elenco não fica atrás. O próprio Reynolds está muito bem. Aplicadíssimo nos momentos em que o personagem precisa demonstrar emoções e absolutamente sarcástico no resto do tempo (provavelmente seu melhor desempenho). Morena Baccarin, mais bela que nunca, mantém o nível como a prostituta amoral, mas sinceramente apaixonada pelo herói mais politicamente incorreto do mundo. Sem contar o roteiro, com diálogos inacreditavelmente hilariantes. A maior qualidade do filme, no entanto, é a sincronicidade de todas as áreas que faz o filme caminhar sem altos e baixos, mantendo a plateia absolutamente ligada numa história perfeitamente recheada de ação, como se espera de um produto Marvel, mas com uma linguagem sínica e surpreendentemente radical. Quem assiste começa a rir com os créditos da abertura e só para quando o filme termina. É cinema de alto nível, um trabalho sério, ainda que só se proponha ao entretenimento.

É isso: Pura diversão, escracho total embalado por uma linguagem precisa e condizente com o conteúdo em todos os níveis, com o herói falando diretamente com o público e diálogos ridicularizando desde a própria produção até toda a indústria de Hollywood.

Para os que ficam até o final dos créditos, mais piadas e surpresas, com a revelação da real inspiração para o estilo do filme numa homenagem ao diretor John Hughes (não revelo mais para não ser um estraga prazeres espírito de porco como o protagonista).

Notas

A bilheteria de “Deadpool” ultrapassou, só nos EUA, 135 milhões de dólares no fim de semana de estreia. Seu orçamento, estimado, no entanto, é de apenas US$ 58 milhões.

Milagre, exclamariam os que lembram que F. F. Coppola não conseguiu menos que isso para seu projeto pessoal. A diferença é exatamente essa. Aqui se trata de um filme de gênero, que usa todos os recursos digitais e de computação gráfica a que Coppola se recusa lançar mão. Daí, uma aparente superprodução com custo de filme médio que deixa todos, estúdio, distribuidores e público, felizes.

Para encerrar, os primeiros a ver “Capitão América: Guerra Civil” o estão considerando o melhor filme da Marvel de todos os tempos. Espero que seja verdade e aguardo ansiosamente a estreia por aqui. Até lá, “Deadpool” continuará sendo, pelo menos, o mais divertido e revolucionário produto desse universo.

Até agora o mais divertido filme da marvel Crítica Deadpool Ronaldo Gomes RockCine

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